Silence, Interests, & Betrayal
Capítulo 8 · Uma civilização, não um regime

O Irão é mais antigo do que os seus governantes — e há de sobreviver-lhes.

Muito antes da República Islâmica, muito antes dos Xás, antes de Roma e antes do islão, houve a Pérsia — uma civilização que ofereceu ao mundo a sua primeira carta de direitos humanos, a palavra álgebra, a poesia de Rumi e Hafez, a medicina de Avicena e uma cultura de hospitalidade que os viajantes contam há vinte e cinco séculos. Esta página recorda quem são os iranianos — e o que o mundo redescobrirá no dia em que cair a ditadura.

Baixo-relevo da escadaria da Apadana em Persépolis: embaixadores de vinte e três nações levam presentes ao rei da Pérsia.
A escadaria da Apadana, Persépolis (c. 515 a.C.). Os baixos-relevos mostram emissários de vinte e três nações com oferendas — um modelo de pluralismo imperial único na Antiguidade. Fotografia: Wikimedia Commons.
Em números

Um país com a dimensão da Europa Ocidental.

Direitos humanos · 539 a.C.

A primeira carta de direitos humanos foi escrita em persa.

Quando Ciro, o Grande, entrou em Babilónia em 539 a.C., mandou gravar uma inscrição que as Nações Unidas descrevem hoje como a primeira declaração de direitos humanos da história. O Cilindro de Ciro proclama a liberdade de culto, abole a escravatura imposta aos povos deportados, manda restaurar os seus templos e reconhece-lhes o direito de regressar a casa. Uma réplica encontra-se hoje na sede da ONU em Nova Iorque.

Vinte e cinco séculos depois, as mulheres do Irão continuam a ensinar ao mundo a mesma lição: dignidade, consciência e o direito a viver em liberdade não são importações do Ocidente. São iranianas até à medula.

Ciência e pensamento

A álgebra, a medicina, a astronomia e a medida da Terra.

Poesia e cultura

Uma nação que sabe os seus poetas de cor.

No Irão, um taxista qualquer recita Hafez de cor. As famílias abrem o Divã ao acaso no Ano Novo, como noutras culturas se consultam as escrituras. O Shahnameh de Ferdowsi — sessenta mil versos — salvou a língua persa ao longo de séculos de domínio estrangeiro. Rumi é, por algumas contas, o poeta mais vendido nos Estados Unidos. O dístico de Saadi — «Os seres humanos são membros de um só corpo» — está tecido no tapete que pende na sede da ONU.

O cinema persa — Kiarostami, Farhadi, Panahi — triunfou em Cannes, Berlim e nos Óscares enquanto o regime prendia os seus realizadores. A música, a miniatura, a caligrafia, a arte do tapete e a cozinha de açafrão, romã e água de rosas são artes vivas em cada casa iraniana.

Ética e hospitalidade

Ta'arof, mehmān-navāzi, e o código mais antigo.

O zoroastrismo, fundado no Irão por volta de 1500 a.C., legou ao mundo uma das suas mais antigas tríades éticas: bons pensamentos, boas palavras, boas obras. Esse instinto sobrevive na vida iraniana de hoje como mehmān-navāzi — o dever quase sagrado de acolher o hóspede — e como ta'arof, a cortesia minuciosa que insiste em que o outro coma primeiro, se sente primeiro, seja honrado primeiro. De Marco Polo aos mochileiros de hoje, todos contam o mesmo espanto: em nenhum lugar do mundo o estranho é recebido com tamanha generosidade.

Galeria de lugares

Vinte e sete sítios UNESCO. Uma amostra do que aguarda.

Hoje — e depois

Uma jóia à espera de ser redescoberta.

Oitenta e nove milhões de pessoas. Idade mediana de trinta e três anos. Uma das mais altas taxas de matrícula feminina universitária do Médio Oriente. Uma diáspora que dirige start-ups em Silicon Valley, laboratórios em França, hospitais na Alemanha e universidades na Austrália. Uma juventude que, apesar do regime, faz a melhor música independente, o melhor cinema e o melhor software da Ásia Ocidental.

A ditadura não é o Irão. É só o que se senta em cima do Irão. Quando cair — e os iranianos, dentro e fora do país, trabalham todos os dias para aproximar esse dia — o mundo redescobrirá um povo de calor, saber, beleza e graça extraordinários. Os bazares de Tabriz e Teerão, os jardins de Xiraz, as pistas do Alborz, os tectos pintados de Isfahan, o silêncio do deserto de Lut — tudo espera.

Esta página existe para que o leitor não esqueça: por trás de cada nome da página Rostos está o herdeiro de uma civilização com três mil anos. Não são estatísticas. São iranianos. E o Irão será livre.

FAQ

Qual a idade da civilização persa?

A civilização iraniana contínua estende-se por mais de 3 000 anos, do Elam e do Império Aqueménida (550 a.C.) até hoje, passando por partas, sassânidas e período islâmico.

O que é o Cilindro de Ciro?

Uma tablete de argila inscrita em 539 a.C. sob Ciro, o Grande, amplamente descrita como a primeira carta de direitos humanos do mundo. Proclama a liberdade religiosa, abole a escravatura imposta aos deportados e reconhece-lhes o direito de regresso.

O que devem as ciências aos sábios persas?

Al-Khwarizmi fundou a álgebra; o Cânone de Avicena foi manual europeu durante 600 anos; al-Biruni mediu o raio da Terra no século XI; Omar Khayyam reformou o calendário; nos nossos dias, Maryam Mirzakhani foi a primeira mulher a ganhar a Medalha Fields.

É seguro viajar para o Irão hoje?

As deslocações ao Irão são actualmente desaconselhadas pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros devido à repressão da República Islâmica. Os iranianos, em casa e na diáspora, convidam o mundo a visitar um Irão livre — um país cujo povo, cozinha e hospitalidade estão entre os mais calorosos do mundo.